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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Agarre a oportunidade!


Quantas pessoas você já evangelizou? Se esta tem sido uma prática constante na sua vida, por certo já deve ter se deparado com a seguinte argumentação: “Quando estiver mais velho, irei para igreja. Me converterei quando já tiver aproveitado toda a vida.” Algumas pessoas acreditam que algum dia também crerão, mas logo antes de morrer.
A verdade é que estamos diante de pessoas que não desejam entregar o melhor de suas vidas a Deus. Recusam o Evangelho pensando que terão diversas oportunidades para tomarem uma decisão. Querem entregar a sua vitalidade, força e energia aos prazeres da carne e seus ossos envelhecidos a causa de Deus.
Certa vez ao evangelizar um rapaz, ele me disse que quando estivesse morrendo, na UTI, aceitaria a Cristo. E por incrível que pareça, ele usou uma base bíblica. Afirmou que o ladrão na cruz fez exatamente assim, e por isso pretendia seguir seus passos. Ele afirmou que o ladrão estará no céu, assim como todos os que aceitaram a Cristo na infância.
Naquele momento fiquei pasmo com aquela resposta. Só consegui dizer que ele não sabia quanto tempo ainda tinha de vida. E questioná-lo a respeito do fim trágico do ladrão. Lembro-me de ter dito: O céu do ladrão tu queres, mas a cruz no Gólgota nem passa por tua cabeça não é?
Hoje eu desenvolveria um pouco mais a minha resposta no que se refere ao ladrão na cruz. Warren Wiersbe observa que “o ladrão não foi salvo na última oportunidade, e sim na primeira. Ele não estava presente quando Jesus transformou água em vinho nem quando Jesus acalmou a tempestade ou alimentou as multidões. Não ouviu o Sermão do Monte nem as palavras que Cristo disse ao paralítico: "Os seus pecados estão perdoados". Aquela foi a pri­meira e última oportunidade para acreditar em Cristo.” E ele agarrou com “unhas e dentes”.
Sendo assim, é errado fazer uma analogia com o ladrão. Por favor, abandone este tipo de desculpa. Se você recebeu uma oportunidade de se render a Cristo hoje, se arrependa de seus pecados e confesse a Cristo como único e suficiente Salvador. Não perca esta oportunidade, pois você pode não ter outra!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Você já notou um grande erro nos Evangelhos?


Gostaria de tentar esclarecer uma dúvida nos Evangelhos. Tenho escutado alguns ateus acusarem as Escrituras Sagradas de estarem repletas de contradições. Eles afirmam que a Bíblia está recheada de passagens que se opõem histórica, ideológica e doutrinariamente. Um dos textos prediletos destes "polemistas" é o evento que enfatiza a negação de Pedro. Os Evangelhos citam esta circunstância de forma divergente, acusam eles. Vamos fazer uma breve análise e tirar nossas próprias conclusões:

Pedro negou a Cristo três vezes, e na segunda vez que foi questionado, os Evangelhos sinóticos descrevem da seguinte forma:

Marcos 14:69  E a criada, vendo-o, TORNOU a dizer aos circunstantes: Este é um deles. (Se ele tornou a dizer significa que foi a mesma pessoa - e o próprio artigo que aparece no texto original deixa claro que foi a mesma pessoa.)

Mateus.26:71  E, saindo para o alpendre, foi ele visto por OUTRA criada, a qual disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.

Lc.22:58  Pouco depois, vendo-o OUTRO, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: HOMEM, não sou.

 Diante destas citações alguns anticristãos concluem:

“Foi a mesma criada, outra criada ou um homem? Quem finalmente questionou Pedro, você pode me dizer por gentileza? Dá licença, vocês crentes são cegos! Só não enxerga esta total incoerência quem é fanático ou ignorante. Onde está a famosa harmonia dos evangelhos, podem nos mostrar? Estes crentes ainda têm a coragem de dizer que a Bíblia foi feita por Deus. Se foi Deus realmente o autor, precisamos concluir que este Deus de vocês é completamente confuso, não acham? Ele parece que nunca teve um professor de redação! Se ele não é capaz de escrever um texto coerente, será capaz de quê? Salvar o mundo? Deixem de brincadeira e parem de enganar as pessoas humildes, seu bando de picaretas!”

Temos que confessar que diante de uma leitura rápida e superficial das passagens bíblicas citadas acima, a dúvida surge realmente. Mas também precisamos afirmar que, se uma bula de remédio fosse lida desta mesma maneira irresponsável, muito dos acusadores da Bíblia já tinham morrido envenenados. Na minha humilde opinião, não é Deus quem precisa de professor, e sim alguns "pseudos" eruditos que acham que já alcançaram autonomia acadêmica.  Os donos da verdade!

Por favor caros críticos, prestem bastante atenção, coisa que vocês não fizeram até agora ao ler a Bíblia. Realmente, foi a mesma criada que questionou Pedro novamente, diz Marcos: “Este aí é um deles” [Mc.14.69]. Também foi outra mulher que o questionou segundo Mateus, [Mt.26.71]. Já em Lucas realmente foi um homem que falou: “Tu também és um dos dele” [Lc.22.58].

Então agora passamos a respoder a indagação: "Foi a mesma criada, outra criada ou um homem?" Os três. E este fato não nos coloca diante de uma confusão ou de um erro crasso. Porque os autores bíblicos usaram de liberdade para enfatizar os aspectos que achavam importantes. Cada um contribui com uma perspectiva. E isto não significa contradição, ao invés desta conclusão, nós estamos é diante de uma grande riqueza de informações. Os quadros são complementares e não contraditórios.

Eu não sei o que aconteceu, mas creio que vocês que alegam desarmonia nestas passagens, “engoliram”, ou melhor, não citaram um texto bíblico de suma importância. Eu honestamente não sei se foi por falta de atenção, ignorância ou uma confissão subjetiva dos verdadeiros picaretas. Leia por favor:

João. 18:25  Lá estava Simão Pedro, aquentando-se. PERGUNTARAM-LHE, pois: És tu, porventura, um dos discípulos dele? Ele negou e disse: Não sou.


De acordo com João, vários dos empregados lhe perguntaram: “Não és, porventura, também tu um dos seus discípulos?” [Jo.18.25]. João esclarece que, várias pessoas questionaram a Pedro na sua segunda negação. Sendo assim, há uma completa e perfeita harmonia. Nenhuma contradição. E encerro fazendo uma pequena alteração na citação de vocês acima:

“DÁ LICENÇA, VOCÊS (ANTICRISTÃOS) SÃO CEGOS! SÓ NÃO ENXERGA ESTÁ (HARMONIA) QUEM É FANÁTICO OU IGNORANTE.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A Bíblia foi feita por homens? Parte 3


Este é o último post da série em Marcos 1:1. Aconselho que leia os outros dois anteriores para que possa entender a discussão em sua inteireza. Após já ter feito uma introdução em: http://produzindofrutos.blogspot.com.br/2012/09/a-biblia-foi-feita-por-homens.html e ter tratado sobre a Crítica Textual em: http://produzindofrutos.blogspot.com.br/2012/10/a-biblia-foi-feita-por-homens-parte-2.html, preciso encerrar minha linha de pesquisa com um ponto de grande relevância - A Estrutura Textual.

 Este último artigo tenciona mostrar que não há possibilidade de retirar a expressão “υἱοῦ θεοῦ” do versículo um de Marcos, sem prejudicar toda a cadeia de ideias do autor inspirado. Não há como fazer tal omissão sem prejudicar a estrutura literária e teológica. Infelizmente Bart D. Ehrmam caiu num erro crasso em não perceber que os campos de conhecimento precisam está interligados. É o que atualmente classificamos como “Interdisciplinaridade”. Priorizar ou abandonar uma ciência em detrimento de outra, é um quadro típico da arrogância academicista ou da deprimente falência da erudição compartimentada.

A perícope de Marcos 1:1-8 é classificada como uma pequena narrativa de introdução, dentro de uma narrativa maior de ritmo.[1] É de suma importância notar palavras chaves como: Jesus Cristo, Filho de Deus, o caminho, o deserto; pois, muito além de expressões com simples significados, temos a Teologia Marcana, iniciada nesta seção e desenvolvida no restante do livro. Por exemplo: Jesus Cristo, o filho de Deus é o preâmbulo para duas citações posteriores importantes, Cristo em Mc.8:29 e  o Filho de Deus em Mc.15:39.[2] 
 
Esta narrativa introduz o introdutor que profetizou acerca de Jesus - João. E nesta passagem, o Antigo Testamento é o cadeado, e Jesus é a chave para destravá-lo. O menor (João) introduziu o maior (Jesus).  É conveniente afirmar que o evangelista não quer que nos concentremos em João Batista, mas em Jesus Cristo, o Filho de Deus.[3]

Existe mérito em notar a quebra cronológica que acontece nesta perícope. Vê-se que o versículo 1 pertence ao presente dos leitores cristãos de Marcos, “O Evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus”, mas os versículos 2,3 já visão levar os ouvintes e leitores repentinamente para o passado, a muito tempo atrás, para o berço da promessa do precursor.[4] No versículo 4 os ouvintes já são novamente transportados para o cumprimento da promessa veterotestamentária. Assim, observamos uma mudança não apenas temporal, mas também de protagonistas.

No 1 um, Jesus é a ênfase, nos versos 2-4 João Batista é enfatizado. Isto é relevante por marcar um recurso literário chamado Quiasmo do tipo ABCB1A1. O primeiro a ser anunciado, Jesus, o Filho de Deus, é o último a chegar. O segundo anunciado, João o mensageiro, é o penúltimo. O efeito que tal estrutura visa trazer tem algo a ver com João trazer Jesus para o primeiro plano.[5] Jesus é destacado como antecessor de João Batista, apesar de ter nascido posteriormente.  Note a estrutura quiástica da passagem mostrada graficamente abaixo:
 
A. Filho de Deus - vers. 1
      B. Voz do deserto (Terra) - vers. 2,3
                 C. João Batista - vers. 4, 6, 9
      B1. Voz dos Céus - vers. 11
A1. Filho amado - vers. 11
 
Devido este quiasmo fazer parte da estrutura literária da narrativa de Marcos, nota-se a importância de se manter a expressão υἱοῦ θεοῦ no texto original, pois sem ela, as amarras criadas pelo próprio autor do livro são quebradas e o texto perde sua forma.

Espero que estes posts tenham ajudado ao querido leitor a ter uma perspectiva completamente diferente do texto. Note como é importante aprofundar a pesquisa. Não acredite em artigos que tentam denegrir a fé cristã, sem antes ter uma postura inquiridora e responsável sobre o assunto. Que Deus nos abençoe.

 

 



[1] ALTER, Robert e KERMODE Frank. Guia Literário da Bíblia. Fundação Editora da UNESP. 1997. São Paulo. p. 439
[2] Ibid.
[3] SBJT - Southern Baptist Journal of Theology 8:3 (Fall 2004) p. 8 Exegetical Issues in Mark’s Gospel. Robert H. Stein
[4] ALTER, Robert e KERMODE Frank. Guia Literário da Bíblia. Fundação Editora da UNESP. 1997. São Paulo. p. 439
[5] ALTER, Robert e KERMODE Frank. Guia Literário da Bíblia. Fundação Editora da UNESP. 1997. São Paulo. p. 439

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Bíblia foi feita por homens? Parte 2

Hoje daremos continuidade ao artigo publicado anteriomente que pode ser acessado no link:  http://produzindofrutos.blogspot.com.br/2012/09/a-biblia-foi-feita-por-homens.html. Pedimos sua compreensão devido ao uso necessário de termos técnicos e siglas que representam papiros e manuscritos. É preciso lembrar que estamos a analisar uma polêmica levantada na Academia em torno da originalidade dos textos modernos. A questão é: será que Marcos 1:1 foi adulterado ou estamos diante de um texto fiel aos autógrafos?
 
Esperamos que no final deste post possa ficar evidente que Bart D. Ehrmam não foi honesto em sua análise crítica. E esta verdade será bem notada quando o confrontarmos com o seu mentor e parceiro em publicações Bruce Metzger. Estudioso este, respeitadíssimo nos círculos de erudição, e com uma postura invejável no quesito moderação e prudência. Elogiado publicamente, pelo próprio Ehrmam, em suas preleções.

O fato é que Ehrmam na ânsia de provar a corrupção dos manuscritos, superestimou, ou melhor, exagerou nas provas.[1] Argumentou com muita contundência, sem contudo possuir um devido embasamento que outorgasse veracidade a sua apologética. Em seu artigo, encontramos por exemplo, as seguintes declarações:
 
"Dois dos três melhores testemunhos de Marcos apoia o texto que omite [υἱοῦ θεοῦ] (Filho de Deus); esta família de testemunhos, isto é, os manuscritos que omitem [υἱοῦ θεοῦ] é diversificada geograficamente; desde que a omissão de [υἱοῦ θεοῦ] ocorre no início do livro, é improvável que seja acidental e quanto mais curto o texto aparece em testemunhas relativamente cedo, independentes, e generalizada"[2]

Primeiramente, diferente do que Ehrmam afirma, é crucial notar que “a variante [υἱοῦ θεοῦ], em português (Filho de Deus), é encontrada na maioria dos manuscritos antigos e importantes, como por exemplo: (os unciais A-Alexandrinus, B-Vaticanus, D-Bezae, W-Washingtonianus, אb – Sinaiticus Corrector e GA 1141) bem como no grosso dos manuscritos posteriores.”[3] Ainda precisamos mencionar que a ausência de [υἱοῦ θεοῦ] em א Θ 28 al pode ser devido a um descuido  do copista, ocasionado pela semelhança das terminações dos “nomina sacra”.
 
A combinação de B D W que apoia [υἱοῦ θεοῦ] é extremamente forte, por isso não é aconselhável omitir as palavras. Nas versões que chegaram até nossas mãos, a expressão foi coloca em colchetes, por causa da antiguidade da leitura mais curta e a possibilidade de expansão dos escribas.[4] No mínimo, para que possa haver honestidade na análise documental e na conclusão da pesquisa, deve-se dar ao Evangelho de Marcos 1:1 o direito de dúvida como Bruce Metzger bem o faz. Ser extremista, quando não há dados suficientes para se posicionar, não é ser corajaso e ousado, e sim, imprudente e sorrateiro. O pesquisador acadêmico não possui a famosa "licença poética" para fabricar  resultados e manipular informações.
 
Saiba que quanto à afirmação a respeito da diversidade geográfica das leituras que omitem [υἱοῦ θεοῦ] é parcialmente verdadeira, pois os textos que admitem a inclusão de [υἱοῦ θεοῦ] são bem mais diversificados geograficamente.[5] 
 
Mesmo que seja preciso concordar que os erros nos manuscritos são bem menos prováveis ​​de ocorrer no início de um livro. No entanto, isso não isenta por completo o escriba, pois um erro poderia ter ocorrido[6] Os olhos de algum copista podem ter saltado de “ου” no final de Χριστοῦ para as mesmas letras no final de θεοῦ, omitindo aquilo que estava no meio, dessa forma pondo de lado υἱοῦ θεοῦ.[7]
 
Finalmente é importante declarar que um estudo sério não pode afirmar tão categoricamente a corrupção de um texto sem levar em conta o prejuízo daquela seção para a inteireza da obra. Pretendo mostrar no próximo post que esta omissão se torna inviável e descabida quando o estudioso abandona por um momento a Crítica Textual e aprofunda-se na Literatura Textual.
 
Quero concluir afirmando que é necessário usar de muito cuidado para definir a originalidade ou corrupção de um determinado texto. Para tal proeza, precisa-se possuir vasto embasamento nos cânones da crítica textual. Sendo assim, este artigo atesta a originalidade do texto de Marcos. A expressão υἱοῦ θεοῦ pertence ao texto canônico”.[8] E não será uma  solitária voz acadêmica, inebriada pelo ateísmo, que lançará por terra toda uma tradição textual e uma segurança nos textos preservados.

Até o próximo post, se Deus quiser...


[1] David Hutchison, THE "ORTHODOX CORRUPTION" OF MARK 1:1. Southwestern Journal of Theology.Volume 48 · Number 1 · Fall 2005. Pages 33 - 48
[2] Ehrman, The Orthodox Corruption of Scripture, 110 n. 140.
[3] CARSON, D. A.; DOUGLAS, Moo J.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo. Vida Nova, 1997. p. 116
[4] Metzger, B. M., & United Bible Societies. (1994). A textual commentary on the Greek New Testament, second edition a companion volume to the United Bible Societies' Greek New Testament (4th rev. ed.) (62). London; New York: United Bible Societies.
[5] David Hutchison, THE "ORTHODOX CORRUPTION" OF MARK 1:1. Southwestern Journal of Theology.Volume 48 · Number 1 · Fall 2005. Pages 33 - 48
[6] Ibid.
[7] CARSON, D. A.; DOUGLAS, Moo J.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo. Vida Nova, 1997. p. 116
[8]LAMAR WILLIAMSON, JR. Mark 1:1-8. Expository Article Interpretation. Presbyterian School of Christian Education. (ATLAS®)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Quer andar sobre as águas? DESÇA DO BARCO.


 

E ele (Jesus) disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. Mt.14:29
Quero tentar te mostrar uma perspectiva um pouco diferente desta história. Normalmente atentamos para o momento em que Pedro afundou. Nos focamos na sua pequenina fé. Não quero nem por um momento, menosprezar esta verdade e este foco. Desejo apenas te apresentar um Pedro que talvez você ainda não tenha notado. Que Deus te abençoe e desafie durante a leitura deste Post.
Não sei se você já notou, mas só existem duas pessoas registradas nas Escrituras que andaram sobre as águas. O Senhor Jesus Cristo e um homem tão pecador, frágil e debilitado quanto nós. O diferencial deste homem em relação a muitos de nós é que ele era ousado, audaz e corajoso.

Este homem que tinha por nome Simão Pedro, foi o único, preste bem atenção, o único dentre os doze do barquinho que teve a inesquecível experiência de andar com Jesus sobre as águas. O único homem na história que podia afirmar que um dia viu seu corpo vencer a lei da gravidade. O único homem que sentiu seus pés tocarem o sobrenatural. Pedro viu a natureza lançar o tapete vermelho para ele desfilar. Pedro foi o único homem que experimentou o poder de Deus na sua vida de maneira muito especial. O único homem que aprendeu por experiência própria que não há limites para o poder de Deus. Mas sabe por que ele pode vivenciar este momento tão inesquecível? Porque Pedro não se conformou.

As ondas sacudiam o barco, muito vento, frio, noite densa, muita escuridão e algo se aproximando vindo sobre as águas. Não é a toa que o texto nos diz que eles estavam aterrados. Estavam tomados de medo a ponto de gritar. Agora imaginem a cena: doze homens barbados, adultos, pais de família, acostumados com o mar, e mesmo assim, estavam a gritar desesperadamente como crianças apavoradas.

Eu imagino todos abraçados fortemente. Fechando os olhos e não querendo se mover do lugar. Mexer um membro do corpo sequer. Paralisados de terror. Notem que todos estavam no mesmo barquinho, sentindo a força dos mesmos ventos, sofrendo com a mesma tempestades e aterrorizados com o mesmo medo. Mas em meio a todo aquele caos, só um homem parece ter ouvido a voz do Senhor. Só um homem mostrou ímpeto no meio da tribulação.

Pedro acreditou que Cristo podia sustentá-lo, por isso começou a descer do barco. Lembre-se que a água estava muito agitada, o vento ainda soprava muito forte e a água era fria. Curiosamente, Cristo ainda não tinha feito cessar a tempestade. Se já estava difícil sobreviver dentro do barco, imagine agora na água agitada. Pedro mesmo com muito medo, deixou seu ímpeto prevalecer. Ele firmou seus pés sobre as águas e ficou de pé. Que experiência fantástica! Ele desceu do barco confiando no chamado de Cristo, “vem”.

Havia riscos e perigos em descer do barco. A situação para Pedro poderia piorar muito. Atente que Pedro deixou para trás os outros onze discípulos. Pedro avançou, mesmo contra todas as probabilidades existentes. Pedro avançou mesmo que seu íntimo dissesse que era loucura. Pedro avançou mesmo que em sua experiência como pescador profissional nunca tivesse visto tal proeza. Pedro avançou mesmo tendo que largar tudo o que o apoiava. Pedro avançou mesmo que seu coração estivesse repleto de medo. Pedro avançou mesmo que os outros apóstolos não o quisessem largar. Pedro teve coragem, ousadia e intrepidez.

É importante entender que coragem não é a falta de medo. Porque se você não tiver medo, a coragem perde sua função. Coragem é agir mesmo na presença do medo. Não permita que o medo te paralise. Não permita que o medo roube de você a chance de contemplar o sobrenatural. Não permita que o medo seja tão grande em seu coração que bloquei a tua visão para o maravilhoso poder de Deus. Não deixe de ter uma experiência única com Deus. Quer andar sobre as águas? Quer ter uma experiência inesquecível ?

DESÇA URGENTEMENTE DO BARCO.
Sou devedor ao missionário Timóteo Reiner que me despertou para esta temática a muitos anos atrás.

sábado, 29 de setembro de 2012

Ninguém será contra nós, se Deus for por nós. SERÁ?


 
No decorrer dos anos tenho presenciado o texto de Romanos 8:31 ser utilizado de uma maneira muito perigosa. Tenho observado chaveiros, camisetas, marcadores de livros e adesivos de carros com esta citação: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" É importante mencionar que não sou contra o uso de versículos bíblicos impressos em tais objetos. Não vejo problema algum. A minha grande questão é o uso inadequado destas passagens. Você pode notar que quando uma referência bíblica está na boca do povo, quando crentes e descrentes fazem uso de um trecho escriturístico, quase sem exceção, este texto sofre abuso interpretativo em benefício de uma aplicação tocante.
Se Deus é por nós quem será contra nós? Esta frase tem sido usada ingenuamente. Citada sem o devido exame, ela parece eliminar todos os nossos inimigos. Como se dissesse: Ninguém será contra nós, se Deus for por nós. Se Deus é por nós, nem um mal irá nos atingir. Quem ousará se levantar contra nós, se Deus estiver do nosso lado? Se Deus é por nós, ninguém se traverá a nos fazer mal algum. Será? Será que é isto que o versículo realmente quer ensinar? Ou infelizmente, mais uma vez, o vírus da teologia da prosperidade nos alcançou sorrateiramente?

           Para tentar esclarecer um pouco melhor as ideias, sugiro que leia com atenção as passagens abaixo:

1 Pedro 5:8  Sede sóbrios e vigilantes. O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;

 Mateus 10:36  Assim, os INIMIGOS do homem serão OS DA SUA PRÓPRIA CASA.

Gálatas 5:17  Porque A CARNE MILITA contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.
I Jo.3:13  Irmãos, não vos maravilheis se O MUNDO VOS ODEIA.

A resposta à pergunta, "se Deus é por nós quem será contra nós?", é:  O DIABO será contra nós, o MUNDO será contra nós e a nossa própria NATUREZA CAÍDA será contra nós. E o mais impressionante é que esta oposição surge justamente porque somos filhos de Deus. Foi a salvação que trouxe na esteira o ódio. Note o versículo a seguir:

SEREIS ODIADOS de todos POR CAUSA DO MEU NOME... Mateus 10:22  

            Então o que o versículo de Romanos 8:31 pretende nos ensinar?

Que temos e sempre teremos inimigos nesta vida, mas a vitória já foi sancionada. É fato que ainda teremos grandes embates nesta vida.. Muitas dores, sofrimentos e dificuldades, mas o consolo,  é que podemos ter plena segurança da nossa salvação. Note bem a continuidade da passagem:

35 ...Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

36  Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Rm.8:35,36

Está conseguindo notar agora quão grandes inimigos nós temos? Quão gigantes   são as dificuldades que ainda estamos sujeitos a passar nesta vida? Dê mais uma olhadela na continuação da passagem:

37  Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Rm.8:37

Este verso é um dos mais bonitos das Escrituras. Ele nos ensina que somos vencedores, mas isto não significa ausência de inimigos e de grandes lutas. Deus nos deu a vitória em Cristo. A nossa grande premiação, o nosso pódium é a salvação que um dia fomos contemplados. Ser salvo e aguardar com esperança o momento glorioso que nos foi reservado. Este é o verdadeiro significado de vencedor. Se te prometeram outra coisa, infelizmente você foi enganado, pois a ausência de tribulações é um almejar equivocado para este mundo que jaz no maligno. Leia com atenção os versículos abaixo e note quanta luta é descrita para o crente:
 
38  Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,
39  nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Rm.8:38,39

Será que temos inimigos? Se Deus é por nós quem será contra nós? A resposta não deve ser: NINGUÉM SERÁ CONTRA NÓS, como muitos pensam, e sim, TODOS SERÃO CONTRA NÓS. Seres naturais e sobrenaturais. E é exatamente esta verdade que faz com que esta passagem seja forte e encha o nosso coração de alegria. Nenhum deles, nenhum dos nossos inimigos, poderão separar-nos do amor de Deus. Eles podem fazer o que quiserem. Usar toda a criatividade para tramar o mal contra nós. Podem nos torturar e até mesmo tirar a nossa vida, mas jamais arranharão um pouquinho sequer da superfície da nossa salvação. Da nossa verdadeira vitória em Cristo. Que verdade gloriosa! Podemos ficar completamente certos de que Cristo já triunfou na ressurreição. Leia o trecho abaixo:

“Os principados e potestades foram expostos. Toda a nudez descoberta. Vergonha, humilhação, uma cruel sensação. O riso diabólico se tornou em pranto. O folguedo em canto fúnebre. Houve triunfo, houve triunfo! Cristo venceu a morte. O que parecia uma vitória avassaladora do mal, não passava da mais horrenda derrota eternal.” http://www.produzindofrutos.blogspot.com.br/2012/09/cristo-venceu-morte.html

Conclusão: Tenha mais cuidado com versículos soltos, retirados de seu contexto. Questione as interpretações populares. Use a Bíblia com responsabilidade.

                                                       Que Deus abençoe a todos nós!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A Bíblia foi feita por homens?


Marcos:1:1

"Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus."
 
No decorrer da série de estudos que estamos dando início aqui no blog, iremos nos deter exclusivamente no versículo primeiro de Marcos. A decisão de estudar esta passagem é devido ao grande debate que tem surgido entre os eruditos a respeito da veracidade deste texto bíblico que temos em mãos em consonância com os Autógrafos (Textos originais). Este primeiro Post é apenas introdutório. O nosso desejo é atualizá-lo a respeito de toda a discussão.

 Um nome tem se destacado nesta polêmica, o estudioso Bart D. Ehrman, professor muito conceituado de Oxford. Este homem tem um passado intrigante. Foi pastor por um ano da Igreja Batista de Princeton após se formar no Moody Bible Institute e na Faculdade Cristã Evangélica de Wheaton. Mas o que chocou o mundo cristão é que apesar de sua formação ortodoxa, ele se tornou o grande inimigo da fé. Ele declarou no  livro God's Problem, ter perdido completamente sua fé em Deus e não se considerar mais um cristão. Estamos diante de um ateu de "peso". Muitos ateístas têm classificado Barth Ehrmam como o ateu do século, destronando nomes clássicos como é o caso do famosíssimo Richard Dawkins.

 Note na citação a seguir quão mordaz Ehrmam tem sido em relação à Bíblia: "Quanto mais estudava, percebia que em vez de uma revelação infalível de Deus, inspirada por suas próprias palavras, a Bíblia era um livro muito humano, com todas as marcas de que saíra de mãos humanas: discrepâncias, contradições, erros e pontos de vista diferentes de diferentes autores vivendo em épocas diferentes em diferentes países, escrevendo por diferentes motivos para diferentes públicos e necessidadades.*

Notaram a ousadia e o destemor? Este homem tem escrito muito livros e artigos combatendo a fé cristã. E infelizmente, estas obras tem encontrado um grande espaço nas prateleiras dos leitores brasileiros. Para que possamos mensurar a ânsia de alguns anticristãos em proliferar tal tipo de leitura no nosso país, destacamos, por exemplo, o livro intitulado “O que Jesus disse e o que Jesus não disse” que estava sendo vendido, há alguns meses atrás, por apenas R$ 7,90 nas revistas da AVON. A grande pergunta que deve nos inquietar é:  como uma obra acadêmica foi barateada a este ponto? Qual foi o último livro de um autor reconhecido mundialmente que você viu ser mercadejo por esta bagatela? O que tem por trás? Qual o subsídio? Talvez a compra de milhares e milhares de cópias de suas obras por parte dos mulçumanos nos fale alguma coisa.

Precisamos está com os olhos bem abertos, pois o intuito de tal façanha é massificar e proliferar o descrédito da Bíblia que temos em mãos. O desejo é aniquilar a autoridade do Livro sagrado. A linguagem desta obra é muito fácil e acessível. Para que você possa ter a devida noção da grande realização de Bart Ehrmam com este livro, é preciso dar ouvidos as autoridades do assunto. E o que eles têm afirmado, é que nunca tiveram em mãos um escrito tão compreensível, popular e didático sobre a Crítica Textual.  Ehrmam conseguiu ultrapassar a barreira da academia. Transformou um assunto considerado tedioso e difícil em atraente e sedutor. E para atingir seus propósitos ele transformou as Escrituras numa espécie de tiro ao alvo.

 É importante olhar para Bart Ehrmam com mais cuidado e atenção, pois se trata de um expoente na academia. Ele já escreveu extensivamente na área de Manuscritologia do Novo Testamento. [1] Muitos o posicionam como a maior autoridade de Crítica Textual da atualidade. Ele foi co-autor de uma obra erudita com um homem que nutre grande respeito chamado Bruce Metzger. Juntos, produziram uma Introdução que é referência no mundo acadêmico.[2]

Seu trabalho mais extenso sobre a transmissão do texto do Novo Testamento é chamado de “A Corrupção Ortodoxa das Escrituras”. E é justamente nesta obra que Ehrman afirma que intencionalmente os escribas mudaram os textos sagrados, como é o caso da inclusão da expressão “υἱοῦ θεοῦ” (Filho de Deus) no final do versículo 1 de Marcos.[3]

Continuaremos a exposição no próximo Post.


* Ehrmam, Barth. H. God’s Problem. P.12
[1] Moisés Silva, review of The Orthodox Corruption of Scripture: The Effects of Early Christological Controversies on the Text of the New Testament,by Bart D. Ehrman, Westminster Theological Journal 57 (Spring 1995): 262.

[2]Bruce M. Metzger and Bart D. Ehrman, The Text of the New Testament, 4th ed. (New York: Oxford University Press, 2005); Bart D. Ehrman, Misquoting Jesus: The Story Behind Who Changed the Bible and Why (New York: HarperSanFrancisco, 2005).

[3]Bart D. Ehrman, The Orthodox Corruption of Scripture: The Effects of Early Christological Controversies on the Text of the New Testament (New York: Oxford University Press, 1993).

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Arrogância espiritual?



Concordo plenamente com esta afirmação: "A Bíblia é a Palavra de Deus e, por isso, é a única regra de fé e prática". Em outras palavras, podemos afirmar de maneira categórica que a Bíblia possui todas as palavras que precisamos para sermos contemplados com a salvação  e que também contém todas as admoestações e ensinos que dirigem o homem pelas veredas da retidão.

 O homem não pode acrescentar nenhuma palavra aquelas que Deus já falou (Dt 4.2; 12.32; Ap 22.18-19, II Tm 3.15-17; I PE 1.23). Este é o brado da Reforma Protestante: "Sola Scripture". Não precisamos da tradição. Não precisamos do Magistério. Apenas das Escrituras.

Creio que quanto a esta suficiência citada acima, todos nós concordamos, a questão que tem me incomodado é a aplicação errada da doutrina da Suficiência das Escrituras.
Já escutei muitos pastores e líderes afirmando que não precisam de livros extras, apenas a Bíblia. Eles não precisam ter uma biblioteca, não precisam ler livros "paradidáticos", livros seculares e como alguns chegam a classificar, livros mundanos, escritos por homens que apenas inserem suas ideias na Bíblia. Muitos afirmam: Eu vou direto a fonte e a interpreto".

É extramamente importante afirmar que devemos sempre ter a Bíblia como fonte primária. Toda pregação e estudo deve começar pela Bíblia. Para um estudante sério o caminho não pode ser diferente. Devemos lê exaustivamente e suplicar ao Espírito Santo para abrir nossas mentes e corações e nos mostrar as verdades bíblicas. Se o estudante tiver domínio das línguas originais, deve lançar mão deste valioso recurso. Mas não só isso. Descartar toda a ajuda que podemos ter de outros santos do passado e de homens que tiveram oportunidades acadêmicas que nós não tivemos, é além de tolice, arrogância em útimo grau.

Como nós precisamos reconhecer que não sabemos todas as coisas. Que não somos divinos. Precisamos afirmar como Bernardo de Chartel no século XII: "Somos como anões sentados nos ombros de gigantes e, como anões, só seremos capazer de ver enquanto estivermos nos ombros dos gigantes."

Gostaria de fazer algumas perguntas para aqueles que seguem a seguinte lógica: "não preciso de outros livros!" Como você faz quando não sabe o significado de uma palavra na Bíblia? Consulta um léxico ou inventa? Hum... O que você faz quando na sua leitura surge uma cidade bíblica que você não conhece? Consulta um Manual Bíblico, um Atlas ou maneira sobrenatural recebe esta ciência? O que você faz quando tem uma dúvida sintática? Consulta uma gramática? Ou  você nunca têm dúvidas?

Um exemplo extremo dessa perspectiva errada acerca das ferramentas auxiliares (livros) pode ser visto na lógica mulçumana usada para a destruição do que havia restado da biblioteca de Alexandria, no século VII: "Qualquer coisa que concorra com o Alcorão é supérflua e pode ser destruída; qualquer coisa que discorda dele é perniciosa e precisa ser destruída."

Não caia nesta armadilha!!! Use tudo o que estiver ao seu alcance para obter uma maior precisão na interpretação bíblica. Deus te abençoe!